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| Sexta-Feira, 04/07/2008 16:03
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Existe
um antigo papiro egípcio escrito por
volta de 2000 a.C que nos conta
da existência de um mágico chamado
Dedi. Esse é o mais
antigo registro de um número de mágica
e está exposto no Berlin State
Museum. O relato, escrito aproximadamente
mil anos depois da morte de Dedi, nos conta
a história de sua incrível performance
perante a corte do faraó Cheops.
Dizia-se que era capaz de colocar a cabeça
de volta em corpos decapitados fazendo-os voltar
a vida, entre outros truques.
De seu número perante
a corte, diz-se que lhe trouxeram
um ganso decapitado, o qual ele pôs do
lado oeste da sala, e com algumas palavras mágicas
fez com que o ganso começasse a tremer,
e ao se aproximar dele, a ave se levantou, cacarejando.
Logo se trouxe outro ganso, e o mesmo foi feito.
Em seguida o faraó ordenou que trouxessem
um boi e o decapitassem, e Dedi, com um novo
encantamento, fez com que o boi se levantasse,
mugindo. O registro foi escrito mil anos depois
da performance, o que nos deixa suspeitas do
que realmente aconteceu, porém o truque
de decapitar animais e lhes dar vida novamente
foi e é um clássico até
os dias de hoje.
Outro truque clássico
e bem antigo é o famoso truque
dos três copos, em que se põe
uma bolinha em baixo de um deles, os copos são
misturados bem depressa e o espectador tenta
descobrir embaixo de que copo está a
bolinha, que na verdade já foi parar
na mão do mágico. Existem indícios
de que esse truque era feito em diversos lugares
do mundo, como Grécia, China
e Índia. Existem também
indícios de truques de mágica
feitos pelos padres dos templos Gregos. Porém,
esses truques eram realizados com a alcunha
de mágica dos deuses, e entre outros
truques faziam com que estátuas falassem
ou uma porta abrisse ao comando da voz.
A prática de truques
de mágica demorou muito mais para difundir-se
na Europa. A esmagadora maioria da população
européia da Idade Média
era ignorante, sem estudo, e muito influenciada
pelos padres da época, que em tudo viam
bruxaria. Portanto, para a maioria da população,
um indivíduo que fosse capaz de fazer
uma moeda sumir em sua mão ou decapitar
uma galinha e ressuscitá-la certamente
tinha um pacto com o diabo. Esse aspecto da
sociedade da época não permitiu
que a mágica se difundisse em grande
escala. Mesmo assim, na Inglaterra e em partes
da Europa Ocidental existem registros de mágicos
que executavam truques muito simples para pequenas
platéias, e que obtinham bastante êxito.
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| Quadro
L´Escamoteur de Hieronumus Bosch,
1475 |
Existe a história
de um mágico chamado Brandom,
que viveu na Inglaterra durante o reinado
de Henrique VIII. Diz-se
que em uma de suas performances para toda
a corte, realizada no jardim do palácio,
Brandom chamou a atenção de
todos para um pombo que estava pousado em
cima de um muro. Com um pedaço de giz
desenhou embaixo do mesmo muro um pombo semelhante
àquele que estava pousado. Brandom
em seguida pegou um punhal e o enfiou no centro
do desenho do pássaro, e imediatamente
após, o pombo que estava em cima do
muro caiu morto. O rei logo pensou que alguém
capaz de fazer aquilo com um pombo pode ser
muito bem capaz de fazer o mesmo com um rei,
e ordenou que Brandom não mais repetisse
esse truque.
Em meados do século XVI
foi escrito um livro fundamental na história
da mágica: The Discovery of
Witchcraft (A Descoberta da Bruxaria).
Esse livro foi escrito por um fazendeiro chamado
Reginald Scot, que vivia
no condado de Kent, na Inglaterra.
Indignado com a crueldade das condenações
por bruxaria e com a superstição
tola da época que associava tudo que
parecia inexplicável com o diabo, Scot
decidiu aprender fundamentos da arte mágica
com os artistas da época. Seu professor
foi um francês chamado Cautares,
que o ensinou que um truque mágico,
quando executado na frente de ignorantes,
se torna sobrenatural. Após ter adquirido
conhecimento suficiente, escreveu seu livro
com 560 páginas, o qual explicava vários
dos fundamentos usados pelos mágicos
da época, colaborando imensamente para
o surgimento de uma distinção
entre bruxaria e truques de mágica.
Os princípios citados em sua obra são
usados até hoje. Porém sua obra
foi considerada profana tempos depois por
James VI, que assumiu o trono
inglês e mandou queimar todas as cópias
do livro de Reginald Scot
porém para a sorte dos estudantes de
mágica, muitos sobreviveram e algumas
versões originais podem ser encontradas
ainda hoje.
Assim surgiu a mágica
no mundo...
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